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domingo, 7 de agosto de 2011

Desmatamento da Amazônia

Depois de um recuo em maio, o desmatamento da Amazônia voltou a subir em junho, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em um mês, a floresta perdeu 312,6 quilômetros quadrados (km²), desmate 17% maior que o registrado em maio. Em relação a junho de 2010, quando o desmatamento foi de 243,7 km², houve aumento de 28% no ritmo da derrubada.
Em um mês, a floresta perdeu 312,6 quilômetros quadrados (km²), desmate 17% maior que o registrado em maioO Pará liderou o desmate na região em junho, com 119,6 km² de novas áreas derrubadas, seguido por Mato Grosso, com 81,5 km², e por Rondônia, com 64 km². No Amazonas, as derrubadas atingiram 41,6 km² de florestas, no Maranhão, cerca de 5 km² e no Tocantins, 0,5 km². A cobertura de nuvens impediu a visualização de 21% da Amazônia Legal, segundo o Inpe.

Os números são calculados pelo Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), que monitora áreas maiores do que 25 hectares e serve para orientar a fiscalização ambiental. Além do corte raso (desmatamento total), o sistema também registra a degradação progressiva da floresta.

Faltando um mês para o fechamento do calendário oficial do desmatamento (que vai de agosto de um ano a julho do outro), os dados do Deter mostram tendência de aumento da taxa anual de desmate. Entre agosto de 2010 e junho de 2011, a derrubada acumulada foi de 2.429,5 km², frente a 1.810,8 km² registrados no período anterior (agosto de 2009 a junho de 2010), com aumento de 34%.

Apesar da tendência, a taxa anual é calculada por outro sistema do Inpe, o Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), e só deve ser divulgada em novembro.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Desmatamento em Mato Grosso

Aumento do desmatamento da floresta amazônica, especialmente em Mato Grosso, cresceu assustadoramente nos últimos dois meses.

Os novos números incendeiam também o debate sobre o Código Florestal -- que, na interpretação de especialistas, teria sido o motivo para o aumento do desmatamento.

Nos últimos 30 dias, os fiscais do Ibama identificaram 20 novas áreas desmatadas em Mato Grosso. A maioria no norte do estado.

Em uma propriedade - foram derrubados mais de mil hectares de floresta - para o plantio de grãos. Alguns infratores passaram a usar um correntão, que é puxado por tratores para limpar a área com maior rapidez. Não sobra nada pela frente.

Também houve descumprimento de embargos. Áreas que deveriam ser preservadas para permitir a recuperação da vegetação - foram usadas para plantio de grãos e criação de gado.

O desmatamento da Amazônia Legal cresceu 26%, segundo dados do Inpe divulgados hoje. Em Mato Grosso - principal produtor de soja e algodão do país e com o maior rebanho bovino - respondeu por 80% da devastação na Amazônia Legal.

"Ocorreu desmatamento grave, numa situação grave no estado, com um pico de desmatamento que ainda não podemos explicar as razões porque pega inclusive fazendas”, explica a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Segundo os fiscais do Ibama, alguns infratores resolveram derrubar a floresta acreditando num suposto perdão das multas com a aprovação do Código Florestal.

"Se tiver gente acreditando está completamente enganado. Existe uma data de corte que é 2008, porém quem desmatar agora de 2008 pra cá, não vai haver anistia alguma (...). Nós não aprovamos essa prática em Mato Grosso”, afirma o presidente da Federação dos Agricultores - MT, Rui Prado.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) questionou o avanço do desmatamento na Amazônia divulgado pelo Inpe.

"Nós não concordamos que esse número pontual, deste mês específico, que é um mês ainda de forte desmatamento por causa da época, aonde termina-se a chuva, já está começando a seca, esse período intermediário é onde tem a facilidade de praticar o desmatamento”, fala a presidente da CNA, Kátia Abreu.

Em Mato Grosso, o governador prometeu usar os dados do Inpe para intensificar a fiscalização. Ele disse que as equipes vão percorrer as áreas desmatadas e multar os infratores.

"O estado de Mato Grosso não aceita a ação criminosa nessa questão ambiental. Nós não podemos por um, ou dois, ou meia dúzia colocar em xeque toda essa riqueza e os produtores que reproduzem com muita responsabilidade, em Mato Grosso”, fala o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa.

Reportagem de Jonas Campos, globo.com/jg

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sobre o desmatamento

"Foram repassados 67 milhões de hectares de terra da amazônia para particulares sem as devidas salvaguardas para separar os ilegais dos legais. Isso corre o risco de levar ao crescimento do desmatamento", Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente no programa do Jô (31/08/2009).

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Alerta de Marina Silva

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A senadora Marina Silva (PT-AC) pediu hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para vetar parte da medida provisória que legaliza a ocupação de terras públicas na Amazônia Legal. Com o apoio da bancada do PT no Senado, Marina Silva encaminhou carta ao presidente pedindo a revogação de três artigos da MP que, na sua opinião, trazem prejuízos à floresta.

A MP aprovada pelo Senado nesta quarta-feira permite a legalização de 67,4 milhões de hectares de terras públicas da União na Amazônia, para doação ou venda sem licitação, até o limite de 1.500 hectares.

Empresas que ocuparam terras públicas até 2004 também terão direito às propriedades. Os donos das terras poderão revendê-las três anos após a concessão dos títulos, no caso de imóveis médios e grandes. Os pequenos poderão ser vendidos após dez anos.

Marina quer impedir a venda dos terrenos no período de dez anos após a regularização, assim como a possibilidade de pessoas que não ocupam diretamente as terras serem beneficiadas. "Um dos artigos amplia extraordinariamente as possibilidades de legalização de terras griladas, permitindo a transferência de terras da União para pessoas jurídicas, para quem já possui outras propriedades rurais e para a ocupação indireta", argumenta Marina.

A senadora também pediu veto do artigo que prevê apenas uma declaração do ocupante da terra como requisito para a regularização fundiária. Marina Silva quer que o governo realize vistorias nas pequenas propriedades rurais antes de conceder a regularização da terra.

Na opinião da ex-ministra do Meio Ambiente, da forma como foi aprovada na Câmara e no Senado a medida provisória representa a "legalização da grilagem" ao não separar o "joio do trigo" entre as propriedades que serão regularizadas.

"O maior problema da MP são as brechas criadas para anistiar aqueles que cometeram o crime de apropriação de grandes extensões de terras públicas e agora se beneficiam de políticas originalmente pensadas para atender apenas aqueles posseiros de boa-fé", afirma Marina.

domingo, 17 de maio de 2009

Operação Cupim

O Fantástico mostrou hoje, a matéria sobre a Operação Cupim, com imagens da TV Centro América em Mato Grosso, incluindo as cidades de Marcelândia e Sinop.

A matéria

Durante quatro meses, Policia Rodoviária Federal e o Gaeco – grupo de promotores que combatem o crime organizado – mapearam um esquema de corrupção e de venda de madeira da floresta amazônica. Segundo os responsáveis pela investigação, havia fraude de notas fiscais e pagamento de propina.

Árvores recém-cortadas chegavam a serrarias de Sinop e Marcelândia, em Mato Grosso, uma das regiões mais desmatadas do estado. Depois, a madeira ilegal passava por Mato Grosso do Sul até São Paulo e Paraná.

No começo da semana, foram presas 15 pessoas. O Fantástico teve acesso a toda investigação, inclusive aos grampos telefônicos que mostram como era feito o pagamento de propina a fiscais estaduais.

Gravações

Em uma dessas gravações, de um lado da linha estava o funcionário público Maurício Bueno Filho. Do outro, o empresário Júlio Pereira, dono de uma transportadora. Eles conversavam sobre o pagamento de mil reais de propina para que o fiscal liberasse a passagem de um caminhão lotado de madeira extraída ilegalmente da Amazônia.

Os fiscais acusados de corrupção trabalham em um posto da Secretaria Estadual da Fazenda, em Sonora, Mato Grosso do Sul. No dia da prisão, Mauricio Bueno Filho negou tudo. O chefe da equipe de fiscalização também foi preso, e disse que não participava do esquema.

O fiscal, contudo, foi flagrado em um telefonema pedindo mil e quinhentos reais para liberar a passagem de um caminhão. O dinheiro iria para a conta bancária dele.

“Alguns maus agentes fazem esse tipo de facilitação propiciando essa cadeia nefasta contra toda uma coletividade. Porque o crime ambiental atinge a nação como um todo”, afirma o procurador-geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, Miguel Vieira da Silva.

A quadrilha também é acusada de fraudar notas fiscais para transportar madeira da Amazônia, principalmente peroba. Em um dos casos, quatro notas com o mesmo número foram usadas em carregamentos diferentes. Nelas, não há peroba, mas árvores de menor valor que poderiam ser derrubadas legalmente.

Além disso, com carimbos falsos, os acusados davam aparência de legalidade ao documento e conseguiam passar a madeira de um estado para o outro. “Qualquer agente publico que tivesse ali poderia usar a desculpa: ‘Ah, mas estava carimbado’”, afirma o procurador.

A investigação mostra que 90% dos motoristas que transportam madeira ilegalmente só viajam à noite. O motivo é simples: em de Mato Grosso do Sul, as balanças que verificam se o carregamento está ou não dentro do peso só funcionam durante o dia. À noite, a passagem é livre.

“Além da consequência do prejuízo ambiental, você tem também o prejuízo fiscal. Um veículo acima do peso, transitando à noite, resulta em insegurança no trânsito”, afirma o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Valter Aparecido Favaro.

“Até 31 de julho, teremos 78 balanças fixas e moveis operando em todo Brasil. Quando você tem o sistema implantado, funciona 24 horas”, promete o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes).

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a quadrilha presa nesta semana lucrou cerca de R$ 10 milhões em quatro meses. O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso do Sul diz que a maior parte da madeira nobre que sai ilegalmente da Amazônia vai para fábricas de móveis, em grandes centros urbanos. “Se há um consumo e uma facilidade pra isso chegar lá, é como qualquer outro crime, consumo de drogas, roubo de carro. Porque tem alguém que consome isso.”

quinta-feira, 5 de março de 2009

No ritmo do desmatamento

Dados divulgados pelo Instituto nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na terça-feira (3) indicam que a floresta amazônica perdeu 754,3 quilômetros quadrados de florestas entre novembro de 2008 e janeiro de 2009. A área equivale a metade do município de São Paulo.

Em relação ao mesmo período do ano anterior, houve uma queda de 70% no ritmo de devastação. Entre novembro de 2007 e janeiro de 2008, a degradação florestal detectada pelo Inpe na Amazônia foi de 2.529,2 km². Quando comparado aos três meses anteriores (agosto a outubro de 2008), o índice apresenta queda de 60%. Nesse período, a degradação acumulada da floresta foi de 1.884 km².

A medição faz parte do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), que identifica apenas focos de devastação com área maior que 2.500 m². Apesar da queda significativa, o desmatamento na virada de 2008 para 2009 pode ter sido maior, já que as nuvens atrapalharam a visão dos satélites, encobrindo entre 63% e 86% da Amazônia. Estados como o Acre, Amazonas, Amapá e Roraima praticamente não foram monitorados, pois permaneceram encobertos.

Os estados onde mais houve degradação florestal, segundo o Inpe, foram o Pará (319 km²), Mato Grosso (272 km²) e Maranhão (88 km²) e Rondônia (58 km²). Nos outros estados da Amazônia Legal, o desmatamento medido pelos satélites não passou de 6 km².

No site www.globoamazonia.com pode-se ver a lista dos 10 municipios que mais desmataram, três deles são mato-grossenses: São Félix do Araguaia, Nova Mutum e Nova Ubiratã.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Amâzonia em perspectiva

O limite máximo de desmatamento que a Amazônia pode suportar antes de se transformar irreversivelmente numa savana é 50%, segundo um estudo divulgado ontem em Manaus pelo pesquisador Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este é o chamado "ponto sem retorno", ou tipping point, em inglês, a partir do qual a floresta perde a capacidade de se regenerar. Hoje, cerca de 20% do bioma já foi desmatado em toda a América do Sul. Se os atuais 20% de área desmatada chegarem a 50%, a situação se tornará irreversível.

A região mais impactada pela transformação seria a Amazônia Oriental, formada principalmente pelo Pará. "Todo o leste da Amazônia viraria uma savana", disse Sampaio, que apresentou os resultados de sua tese de doutorado na conferência Amazônia em Perspectiva, que reúne os três maiores programas de pesquisa sobre a floresta (conhecidos pelas siglas LBA, Geoma e PPBio). "A floresta se auto-sustenta", explicou o cientista. "A vegetação depende do clima, mas o clima também depende da vegetação. Quando você remove a cobertura vegetal, você muda também o clima, até um ponto crítico em que a floresta não consegue mais voltar ao que era antes."

A porção oeste do bioma permaneceria relativamente imune às alteração, blindada pelos índices pluviométricos mais elevados nas regiões próximas aos Andes. A transformação "sem volta" ocorreria somente nas áreas já desmatadas, segundo Sampaio - apesar de outros cientistas acreditarem que o desmatamento no leste poderá cortar o fluxo de vapor de água para o interior da floresta, no oeste.

A tese de Sampaio é a expansão de um trabalho publicado por ele mesmo e colegas no ano passado, que abrangia apenas a Amazônia Oriental e estimava o ponto sem volta em 40% de desmatamento. O novo modelo é mais completo porque abrange toda a Amazônia na América do Sul e faz o casamento entre as flutuações de clima e vegetação, enquanto o anterior trabalhava apenas com variação de cobertura florestal.
Fonte: Yahoo noticias

terça-feira, 7 de outubro de 2008

No ranking do desmatamento

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, divulgou recentemente uma lista dos maiores desmatadores do Brasil e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), encabeçava a relação.

A equipe do Fantástico foi até o maior desmatamento da lista, um assentamento em Tabaporã (norte de Mato Grosso) sob responsabilidade do instituto, e flagrou desmatamentos recentes e até uma madeireira ilegal.

Na área destinada aos assentados, pouco sobrou da vegetação amazônica. Cerca de 4 mil pessoas vivem no assentamento, que tem escola, posto de saúde e mercearias.

Cada família residente ali recebeu 60 hectares, dos quais apenas 20% poderiam ser desmatados. Mas a maioria não deixou uma árvore sequer.

"Fui desistindo da lavoura, foi onde acabei derrubando o resto do meu sítio", explica o assentado Tadeu Gwazdecki. O paranaense foi um dos primeiros a receber terra no assentamento, onde vive há dez anos, e derrubou toda a floresta de sua terra para criar gado.

A cerca de dois quilômetros do lote de Gwazdecki, a equipe de reportagem encontrou uma madeireira em funcionamento, com muitas toras e madeira cortada, pronta para ser vendida, em terreno sob controle do governo federal. Autoridades locais recomendaram à equipe do Fantástico que não se aproximasse dela para evitar um possível conflito.

Após assistir a imagens do depósito de madeira, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, confirma que ele funciona de forma irregular: "É uma ocupação ilegal, uma extração criminosa de madeira e nós já estamos determinando que sejam retirados de lá, mesmo que para isso a gente precise do auxílio da Polícia Federal".

Ele diz ainda que o Incra, que é subordinado a seu ministério, se esforça para coibir esse tipo de abuso. "O Incra trabalha permanentemente nos assentamentos. A gente tem convênios, um esforço enorme para conter o desmatamento e reverter essa situação", afirma Cassel.
Do Globo Amazônia, com informações do Fantástico.
Foto: Magnos Oliveira.