segunda-feira, 10 de julho de 2017

sábado, 8 de julho de 2017

terça-feira, 4 de julho de 2017

domingo, 2 de julho de 2017

domingo, 18 de junho de 2017

terça-feira, 6 de junho de 2017

domingo, 4 de junho de 2017

domingo, 7 de maio de 2017

sábado, 6 de maio de 2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

quinta-feira, 4 de maio de 2017

quarta-feira, 26 de abril de 2017

terça-feira, 25 de abril de 2017

domingo, 23 de abril de 2017

sábado, 22 de abril de 2017

Uma armadilha para Sergio Moro

O jornalismo de direita comete um erro grave, quase infantil, ao tentar induzir Sergio Moro a pensar que não há outra saída que não seja prender Lula.

A estratégia é precária, porque constrange o juiz. Moro sabe que se transformou em ídolo dos golpistas. É dado estatístico que quase todos os seus gestos (inclusive fotos e presença em eventos) acabam por atender as demandas dessa turma.

Mas o juiz, que tanto valoriza a comunicação com a população, também sabe que seus atos não podem ser vistos como gestos inspirados no ativismo da direita na imprensa. Um juiz não pode ser guru da direita mais reacionária, em lugar algum.

Prender Lula é o desejo primitivo de quem bateu panelas, apoiou o golpe de agosto e viu a quadrilha do Jaburu apropriar-se do poder. E está vendo agora a destruição dos seus ídolos tucanos Aécio, Serra e Alckmin. E verá mais adiante que não terá nem Previdência nem leis trabalhistas. E que seu guru passa a ser Doria Júnior e que um dia poderá vir a ser Luciano Huck.

Essa gente deprimida, que já andou de braços dados com Bolsonaro, não pode acreditar que orienta a missão do Judiciário na Lava-Jato.

Moro não tem o direito de cometer novas barbeiragens. Duas delas, em circunstâncias normais, teriam avariado seriamente sua carreira: o grampo da conversa de Dilma com Lula, depois entregue à Globo, e a condução coercitiva de Lula.

Prender Lula agora, sem provas, não seria apenas mais uma barbeiragem. Poderá ser um dos maiores erros já cometidos pela Justiça, com consequências políticas imprevisíveis.

Os jornalistas de direita, que babam pedindo a prisão de Lula, os patos sonegadores da Fiesp e os batedores de panela atormentados pelos estragos do golpe que eles mesmos patrocinaram não podem ter a ambição de orientar a conduta de Sergio Moro. É muita petulância.

E o juiz sabe que os brasileiros não podem ser induzidos por esta direita abusada ao equívoco de achar que os golpistas pedem e ganham tudo da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba

Um juiz com a missão de Sergio Moro não é alguém tomando decisões em uma ilha, alheio às ansiedades e expectativas de um país inteiro. Um juiz indiferente ao que se passa ao seu redor, nessas circunstâncias, pode cometer falhas brutais.

Se um juiz ignora seu contexto, ou se acha que seu talento e seu marketing pessoal são infalíveis, que Themis, a deusa da Justiça, o proteja.

Por Moisés Mendes

quinta-feira, 20 de abril de 2017

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Presença de Lula

Decisão de Moro de exigir presença de Lula em 87 depoimentos é ilegal, diz defesa

Do site de Lula:

O juiz de primeira instância Sérgio Moro proferiu nesta segunda-feira (17) decisão ordenando que Luiz Inácio Lula da Silva esteja presente em todas as audiências em que serão ouvidas testemunhas de defesa em processo em que configura como réu.

Tal ordem é desprovida de base legal, conforme explica a nota abaixo, assinada pelo advogado do ex-presidente.

“A decisão proferida hoje (17/04) pela 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba nos autos da Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000/PR exigindo a presença de Lula em audiências para ouvir testemunhas de defesa configura mais uma arbitrariedade contra o ex-Presidente, pois subverte o devido processo legal, transformando o direito do acusado (de defesa) em obrigação. Presente o advogado, responsável pela defesa técnica, a presença do acusado nas audiências para a oitiva de testemunhas deve ser uma faculdade e não uma obrigação.

O juiz Sérgio Moro pretende, claramente, desqualificar a defesa e manter Lula em cidade diversa da qual ele reside para atrapalhar suas atividades políticas, deixando ainda mais evidente o “lawfare”.

A decisão também mostra que Moro adota o direito penal do inimigo em relação a Lula e age como “juiz que não quer perder o jogo”, como foi exposto pelo renomado jurista italiano Luigi Ferrajoli em análise pública realizada no último dia 11/04 no Parlamento de Roma (ww.averdadedelula.com.br).

Essa decisão foi proferida na ação penal em que Lula é -indevidamente- acusado de ter recebido um terreno para a instalação do Instituto Lula e um apartamento, vizinho ao que reside. No entanto, as delações dos executivos da Odebrecht mostraram que o ex-Presidente não recebeu tais imóveis, o que deveria justificar a extinção da ação por meio de sua absolvição sumária.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Repúdio

Nota de Repúdio à declaração da atual Ministra de Direitos Humanos a Senhora Luizlinda Valois


A Coordenação Nacional de Gênero do CEN – Coletivo de Entidades Negras, repudia veementemente a declaração da atual Ministra de Direitos Humanos a Senhora Luizlinda Valois, a qual demonstrando total desconhecimento do pensamento da maioria das mulheres negras brasileiras, elege em seu discurso, o padrinho das Mulheres Negras Brasileiras, o Sr. Michel Temer.

Ministra, fale pela Senhora, não fale por mim, não fale pelas minhas primas, irmãs, amigas e companheiras de militância.

O presidente Golpista Michel Temer NÃO É MEU PADRINHO, ele até pode ser o padrinho da Senhora, ministra… porém não é nosso.

Nós mulheres negras não entendemos que um homem branco, machista, patriarcal, misógino, sexista, golpista, usurpador de direitos possa nos representar, muito menos V. Exma. que em uma tentativa insana, tenta rasgar a história das mulheres negras deste país.

Fale pela Senhora. Tenha ele como o SEU PADRINHO, não use a luta das mulheres negras em benefício próprio, para se legitimar perante um governo que não nos respeita e nem de longe reconhece a nossa luta ancestral.

Nossos passos vêm de longe Ministra.

A discriminação sofrida por nós, mulheres negras, ao longo desses anos, a discriminação e o racismo que nos retira direitos básicos que vão desde o direito de viver e de ter vivos nossas/os filhas/os, às péssimas condições de saúde e educação que nosso povo enfrenta até os dias atuais, não te dá o direito de eleger TEMER como nosso padrinho.

A falta de vagas no mercado de trabalho, os direitos que nos tem sido negado, o desrespeito as nossas especificidades, só reforçam que este homem branco e até a sua companheira (mesmo sendo ela uma mulher) não me representam.

No dia que uma mulher branca e um homem branco abram mão dos privilégios, pensando na nossa raça, talvez eu possa vislumbrar uma possibilidade de representação e permissão de que falem por mim, coisa que acho difícil para não dizer IMPOSSÍVEL.

Com certeza a Senhora sabe o que é ser mulher negra num país como o Brasil e na Diáspora Africana. Não é possível que tenha esquecido, assim como a senhora também sabe que não deveria eleger esse Sr. Como padrinho de uma mulher negra.

Por favor, Senhora…

Nos respeite, respeite nossa luta, respeite nossa ancestralidade.

Iraildes Andrade
Mulher Negra, Mãe, Avó
Coordenadora Nacional de Gênero do CEN
Ekede da Casa Oxumarê
Facilitadora da Secretaria de Políticas para Mulheres do Estado da Bahia
Bacharela em Estudos de Gênero e Diversidade

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Documentário

Com o título "Crise brasileira e humor negro", o jornal francês Le Monde publica um artigo sobre o documentário "Brasil: o grande salto para trás", das francesas Frédérique Zingaro e Mathilde Bonnassieux, que será transmitido pela TV franco-alemã ARTE nessa terça-feira (18).

A correspondente do jornal Le Monde no Brasil, Claire Gatinois, escreve que em uma certa segunda-feira, no dia 17 de abril de 2016, o Brasil descobriu o rosto dos políticos que representavam a população na Câmara dos Deputados: conservadores, grandes fazendeiros, evangélicos loucos por Deus, homens apegados aos valores tradicionais e até saudosistas dos tempos da ditadura militar. Na maioria, pessoas corrompidas.

O artigo informa que durante a sessão de votação, que entrou madrugada adentro, esses deputados selariam o destino da então presidente Dilma Rousseff, reeleita em 2014, desencadeando o impeachment.

Este é o momento histórico do documentário "Brasil: o grande salto para trás", um momento-chave em que nosso país, numa crise vertiginosa, viu o seu futuro balançar. "É como o fim de um parênteses encantado aberto por Lula da Silva em 2003, legando prosperidade e permitindo que milhares de brasileiros saíssem da miséria, sem falar na projeção na cena diplomática internacional, tornando-se um ator relevante dos BRICS", escreve a jornalista, explicando que a indignação popular diante da corrupção de um Partido dos Trabalhadores desgastado pelo poder - corrupção que se alastra pelos partidos da direita e da esquerda - serviu de pano de fundo para o impeachment. "Desse instante nascerá o confronto, muitas vezes maniqueísta, entre os pró e os contra a destituição, opondo uma esquerda progressista e uma direita agarrada aos seus privilégios", analisa Claire Gatinois.

O documentário das cineastas francesas optou pela descrição desta fratura, centrando a narrativa em Gregório Duvivier, jovem humorista da esquerda, que fez a maioria das entrevistas, incluindo a própria ex-presidente Dilma.

Le Monde analisa que o telespectador é levado a seguir a interpretação muito pessoal do cômico, que serve de referência para se compreender a complexidade do Brasil. O percurso é revelador do sentimento de uma parte dos brasileiros: depois do impeachment, os militantes e simpatizantes da esquerda denunciam um complô anti-PT por parte de uma justiça enviezada e das mídias mais fortes, dando à destituição de Dilma ares de "um golpe de Estado parlamentar."

Como será o futuro agora? - indaga o documentário, colocando em foco a perspectiva de um triste destino para a esquerda nacional, a exemplo do que ocorreu em diversos países da América Latina. Le Monde constata que a conclusão do documentário é que, sem negar os erros do PT, a atual política de Michel Temer, marcada pelo rigor e pelas reformas que seduzem os mercados financeiros, compromete, com seus cortes, as despesas destinadas à saúde, educação e ajuda aos desfavorecidos.

domingo, 16 de abril de 2017

Decepção com Lula

“Se é para se decepcionar com Lula, que não seja pelo depoimento de Emílio Odebrecht”, diz professor da UnB
Por Diario do Centro do Mundo - 16 de abril de 2017

de Luis Felipe Miguel, professor da UnB e coordenador do Demodê – Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades

Não há rigorosamente nada de novo nas últimas acusações contra Lula. As denúncias de recebimento de dinheiro ilícito continuam sendo vagas, baseadas em presunções e incapazes de apontar vantagens efetivas que ele tenha obtido.

Por outro lado, há fartas demonstrações de que o ex-presidente tinha noção de que era a corrupção que garantia a “governabilidade” – alguém ainda não sabia disso? E também fica claro que Lula desenvolveu uma forte camaradagem com as grandes empresas, algo que está longe de lustrar sua biografia de líder popular, mas que também não constitui surpresa para ninguém. (E, pelo que se vê até o momento, também não constitui crime, é sempre bom ressaltar.)

No entanto, vejo muito gente acionando o modo “meu mundo caiu”, como se fulminados por uma súbita decepção com Lula. Alguns, por senso de oportunidade, como parece ser o caso de Paulo Henrique Amorim. Outros, sucumbindo diante da campanha incessante da mídia.

Gostaria de poder dizer, como Millôr: “Heróis nunca me iludiram”. Não seria verdade. Tive, como todo mundo, minha cota de heróis pessoais. Ainda os tenho hoje, mas cuido para que estejam mortos, de preferência há bastante tempo, o que evita surpresas desagradáveis.

Lula nunca foi um desses heróis. Comecei minha militância política no antigo PCB, no finalzinho da ditadura. O PT, recém surgido, era visto por nós como um instrumento para a divisão da oposição ao regime militar (leia-se: PMDB). Lula, como um operário que não fora capaz de superar uma mentalidade pequeno-burguesa.

A primeira crítica mostrava um horizonte limitado. Sim, o multipartidarismo foi reinstaurado por decreto, em 1979, com o intuito de dar uma sobrevida ao partido de sustentação da ditadura, a Arena (transformada em PDS). Mas a opção por manter os trabalhadores como retaguarda de uma oposição com liderança burguesa inconteste era equivocada, como a história mostrou.

A segunda crítica tem um ranço autoritário. Como se a “mentalidade” correta fosse determinada de fora. Lula não rezava pela cartilha da esquerda tradicional, é verdade, e foi crescendo politicamente quando já era um líder conhecido, o que explica algumas barbaridades de suas declarações iniciais. Mas cabe perguntar: um perfeito apparatchik teria a capacidade que ele tinha e ainda tem de se comunicar com sua base?

Quando o PCB se desmontou e se transformou no PPS, eu encerrei minha militância partidária. Tornei-me (em geral) eleitor do PT, mas nunca me filiei. Votei em Lula, votei em Dilma, mas houve ocasião em que anulei o voto para presidente. Nunca votei nos candidatos petistas ao governo do Distrito Federal. Para o legislativo, costumo votar em candidatos de partidos à esquerda do PT. Nunca elegi ninguém, então não me tive chance de me decepcionar com minhas escolhas.

Tornei-me, como se vê, um cientista político perfeitamente apartidário, quase apolítico, certamente neutro e objetivo. Mas confesso que, às vezes, ao longo dos anos 1990, senti a tentação de virar petista. Costumava brincar que eu tinha uma conexão mística com Lula: cada vez que a tentação estava grande demais, ele fazia alguma coisa que me levava a desistir.

Lembro que, em 1993 ou 1994, eu estava praticamente com a ficha de filiação na mão quando Lula discursou no Nordeste e disse que “o vermelho da bandeira do PT simboliza o sangue de Cristo”. Era demais para mim, parei de pensar em filiação na hora.

Conto tudo isto para dizer que sempre nutri por Lula um misto de respeito, admiração e crítica, em doses variáveis ao longo dos anos. Lula não tem que nos decepcionar, porque ele nunca se propôs ser algo diferente. Ele nunca foi um revolucionário, nunca foi um socialista, e só se decepciona ao descobrir que ele não o é quem nele projetou suas próprias fantasias.

A força de Lula e sua fraqueza provêm da mesma fonte: seu enorme pragmatismo, sua capacidade de adaptação. Trata-se, na verdade, de um traço produzido socialmente: os integrantes das classes populares, sobretudo os submetidos às maiores privações, precisam disso para garantir a própria sobrevivência. Lula ilustra aquilo que o historiador Robert Darnton via no “homem da rua”, que aplica sua inteligência e engenho para “se virar” num ambiente complexo, em transformação e no qual ele se encontra em posição de desvantagem.

O lulismo é a tradução dessas disposições num programa político. Limitado, adaptativo, mas marcado por um genuíno desejo de responder às premências mais gritantes da população mais pobre.

Quem procura um santo, deve procurar em outro lugar, não na política, muito menos na política brasileira. Os santos, na política, ou são logo reduzidos à insignificância ou, pior ainda, são santos fajutos, falsificados (não estou me referindo especificamente a ninguém e da minha boca não sairão as palavras “Marina” ou “Silva”.)

Não é o momento de chorar porque se descobriu tardiamente que Lula virou lobista de empreiteira. A perseguição judicial e midiática contra ele continua sendo um grave atentado às liberdades e ao Estado do direito. Reagir contra ela não depende de gostar do ex-presidente ou de suas políticas. É uma questão de defesa da democracia.

O outro ponto é saber quem será Lula em 2018. Se ele for capaz de liderar uma frente de enfrentamento dos retrocessos e estiver disposto a estimular a reativação do movimento popular, então estarei com ele, apesar de todas as críticas. Mas se ele for simplesmente a saída para a normalização do golpe e mesmo a tábua de salvação da elite política, como dão conta os boatos recentes, então estarei contra, apesar de todo o respeito.

PS. Se é para alguém se decepcionar com Lula, então, por favor, que não seja por causa do depoimento de Emílio Odebrecht. Cada vez que leio trechos dele, tenho que dominar meu asco. Ele fala sempre do alto de sua posição de grão-burguês, revelando a cada frase sua condescendência e desprezo pelos trabalhadores e seu desconforto, sua inconformidade com o fato de que um trabalhador pôde chegar ao poder. É um monumento ao preconceito de classe.

sábado, 15 de abril de 2017

sexta-feira, 14 de abril de 2017

terça-feira, 11 de abril de 2017

segunda-feira, 10 de abril de 2017

sábado, 8 de abril de 2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

quinta-feira, 6 de abril de 2017

quarta-feira, 5 de abril de 2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

sábado, 1 de abril de 2017

Mensalinho mato-grossense

O ex-presidente da Assembleia José Riva abriu, esta tarde, o reinterrogatório para a juíza Selma Arruda fazendo uma nova confissão afirmando que o “mensalinho” -pagamento de propina para deputados e ex-parlamentares- já existia na Assembleia Legislativa desde a gestão do ex-governador Dante de Oliveira (PSDB), já falecido. Depois, continuou nos demais governos, mas em 2003 quando Blairo Maggi (PP) foi eleito governador ele se recusou a pagar mensalinho aos deputados para aprovação dos projetos do governo. No entanto, Maggi propôs que aumentaria o valor do duodécimo repassado para a Assembleia e que a mesa diretora se virasse para contemplar todos os deputados para não haver divergências.

Segundo Riva, entre 2003 e 2005 foi movimentado R$ 1,1 milhão. “Em 2005 aumentou para 3,4 milhões. Em 2006 foram R$ 5 milhões. Em 2007 movimentou R$ 12 milhões, em 2008 movimentou 15 milhões e outros R$ 6, milhões em 2009", atestou, lendo planilhas com anotações manuais feitas por ele.

Riva disse que começou com repasses de R$ 15 mil para cada um dos parlamentares e ex, depois passou para R$ 20 mil e acredita que, ao final, antes de ser alvo do Ministério Público, o mensalinho repassado aos deputados estava na casa dos R$ 25 mil. Além dele, o ex-presidente aponta que foram beneficiados com "mesadas" Silval Barbosa, Sérgio Ricardo, Mauro Savi, Carlão Nascimento, Dilceu Dal Bosco, Alencar Soares, Pedro Satélite, Renê Barbour (falecido), Campos Neto, Zeca D`Ávila, Nataniel de Jesus, Humberto Bosaipo, Carlos Brito, João Malheiros, Eliene Lima, José Carlos de Freitas, Gilmar Fabris, José Domingos Fraga, Walace Guimarães, Percival Muniz, Wagner Ramos, Adalto de Freitas, Sebastião Resende, Juarez Costa, Walter Rabelo (falecido), Nilson Santos, Chica Nunes, Airton Português, Maksues Leite, Guilherme Maluf, Ademir Brunetto, Chico Galindo e Antônio Brito. Já Chico Daltro, José Carlos do Pátio, Ságuas Moraes, Verinha e Otaviano Pivetta estavam fora do esquema.

José Riva também confirmou que dinheiro desviado dos valores desviados da Assembleia, cerca de R$ 2,5 milhões, foram usados na compra da vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) que vinha sendo ocupada por Sergio Ricardo, afastado do cargo, recentemente, por decisão do juiz Luís Aparecido Bortolussi Júnior. Riva disse ainda que parte dos valores de propina também foi usada pelo ex-deputado Maksuês Leite, em 2008, para comprar uma emissora de TV. “Confirmo que foi daqui (Assembleia) que saíram esses R$ 2,5 milhões”, diz Riva.

José Riva atestou para a juíza Selma Rosane que o pagamento de mensalinho aos deputados ocorreu nas gestões de Silval Barbosa, Sérgio Ricardo - ambos ex-presidentes da Assembleia- e na sua gestão. Garantiu também que todos os deputados que eram contemplados e sabiam da origem ilícita do dinheiro. "Quero fazer uma confissão e colaborar com a justiça, o Ministério Público e apresentar nomes de novos agentes envolvidos nessa situação".

Fonte: Só Notícias

sexta-feira, 31 de março de 2017

Milhões em aposentadoria

AL de MT gasta R$ 17 milhões com aposentadorias de ex-deputados

Com uma lista de 103 beneficiados, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) gasta atualmente R$ 16,8 milhões por ano com o Fundo de Assistência Parlamentar, sistema de previdência privado exclusivo para deputados e ex-deputados estaduais. Os valores pagos a cada um variam entre R$ 3,2 mil e R$ 25,3 mil e constam do Portal da Transparência da ALMT.

No dia 22 deste mês, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão de seis leis estaduais (números 5.085/1986, 6.243/1993, 6.623/1995, 7.498/2001, 7.960/2003 e 9.041/2008) que instituem o sistema próprio de previdência para os deputados estaduais.

Distribuída para o ministro Alexandre de Moraes, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 446 considera essas leis inconstitucionais. Entre os motivos está a Emenda Constitucional 20/1998, que proíbe parlamentares de terem regime próprio de previdência.

Entre os beneficiados pelo FAP estão deputados atualmente no exercício do mandato, como Gilmar Fabris (PSD) e Romoaldo Júnior (PMDB). O atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), também recebe o benefício. Os três ganham o valor integral da previdência, que é de R$ 25,3 mil.

As leis 7.498/2001, 7.960/2003 e 9.041/2008 chegaram a ser declaradas inconstitucionais em 2016 pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, mas a decisão ainda não transitou em julgado e, com isso, o FAP continua sendo pago normalmente, segundo a Assembleia Legislativa.

"Concessão de aposentadorias e pensões com critérios especiais distingue indevidamente determinados agentes políticos dos demais cidadãos e cria espécie de casta, sem que haja motivação racional – muito menos ética – para isso", diz Janot na ADPF 446. "A benesse é desarrazoada e causa gravíssima afronta aos cidadãos e a preceitos fundamentais da República", continua.

O procurador-geral da República criticou os deputados por estarem legislando em causa prórpia, permitindo que os benefícios continuassem a ser pagos. "É, portanto, inadmissível elaboração de leis imorais, cujo único propósito seja privilegiar alguns poucos indivíduos, locupletando-os injustificadamente à custa das pessoas que sustentam financeiramente o estado com seu trabalho", diz outro trecho da ADPF 446.

Para Janot, a previdência fere ainda a competência da União para legislar sobre previdência. A ADPF pede decisão liminar para suspender as leis questionadas e que, depois, essa determinação seja referendada pelo Plenário do STF.

HISTÓRIA

O FAP foi criado pela lei nº 4.675 de 9 de maio de 1984, sancionada pelo então governador Júlio Campos (DEM), para dar assistência médica hospitalar e odontológica aos deputados, pensionistas e dependentes e também conceder pensões e direitos de sucessores. O prazo de carência era de dois anos.

A lei foi alterada por novas normas em 1986 e 1993 e estabelecia carência de oito anos para recebimento do benefício. Dessa última vez, a lei foi sancionada pelo então governador do estado, Jayme Campos, do DEM. Em 1995, a legislação do FAP foi extinta, mas sem atingir os deputados da 13ª legislatura, que puderam continuar a contribuir para ter direito à previdência futuramente.

Em 2001, a Lei nº 7.498, sancionada no governo Dante de Oliveira (PSDB), eliminou o prazo de carência, permitindo que os deputados da 13ª legislatura pudessem pagar os recolhimentos previdenciários de até 24 anos de contribuição de uma só vez. A mesma norma estabeleceu que não seriam admitidas novas contribuições para o Fundo a partir de 2003.

Depois, outras duas leis (nº 7.960 de 2003 e nº 9.041 de 2008), sancionadas por Blairo Maggi (PP) e Silval Barbosa (PMDB), permitiram que pudessem ter acesso ao FAP os deputados das 14ª e 15ª legislaturas. Entre os ex-parlamentares beneficiados por essas normas e que atualmente recebem aposentadoria estão Dilceu Dal“Bosco (PSDB), Eliene Lima (PSD), Emanuel Pinheiro (PMDB) e José Geraldo Riva.



Fonte: folha max

quinta-feira, 30 de março de 2017

quarta-feira, 29 de março de 2017

Medalha Mérito Farroupilha

Sob aplausos e gritos de "me representa" e "fora Temer", o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha — maior distinção da Assembleia Legislativa do Estado — em cerimônia na noite desta terça-feira, no Teatro Dante Barone. No palco do teatro, Jean foi recebido com flores e abraços por representantes da causa LGBT e de movimentos sociais. As informações são de Zero Hora.

A medalha faz parte da cota da deputada estadual Manuela d'Ávila (PC do B), que decidiu homenagear o parlamentar — cada deputado pode entregar a honraria uma única vez durante todo seu mandato na Casa. A homenagem, no entanto, desagradou alguns integrantes da Assembleia, como Marcel Van Hattem e Sérgio Turra, ambos do PP, que alegaram que o deputado do PSOL não teria "serviços prestados" ao Estado.

"Não faço nada em troca de premiação, faço ações pelo que é justo. Recebo essa medalha para provar que o Rio Grande do Sul não é essa minoria barulhenta e odiosa que discursa contra essa cerimônia. Essa minoria desrespeita a mitologia farroupilha", disse Jean, em seu discurso.

Antes de entregar a medalha, Manuela defendeu em discurso sua decisão de agraciar Jean, que, segundo ela, promove "o grito pela liberdade, igualdade e humanidade para todo o país" e, portanto, "defende causas que influenciam diretamente o Rio Grande do Sul".

"Tu (Jean) inspiras quando lutas pelos direitos constitucionais para todos os brasileiros e brasileiras, para gaúchos e gaúchas. O Rio Grande do Sul faz parte do Brasil, e o Brasil não existe sem o Rio Grande do Sul", disse a deputada estadual.

Além de Manuela, também participaram do evento os deputados Jeferson Fernandes (PT), Stela Farias (PT), Miriam Marroni (PT) e Juliana Brizola (PDT), representando a presidência da Assembleia — Edegar Pretto (PT) não compareceu, pois está em licença paternidade.

"É uma noite de muita emoção. Muitas vezes falta emoção e coração aqui dentro. Estamos vivendo um avanço do conservadorismo no país, e o Jean representa a luta contra esse movimento no parlamento. São forças conservadoras que meu avô (Leonel Brizola) outrora lutou contra. O Jean simboliza um grito de socorro daqueles que são oprimidos todos os dias", disse Juliana.

Visivelmente emocionado, Jean Wyllys agradeceu a honraria e discursou, destacando, entre outros pontos, seu início de vida, as dificuldades enfrentadas pela sua orientação sexual, os direitos humanos no Brasil e, principalmente, a alegria e a representatividade de receber a distinção no parlamento gaúcho. O deputado também usou a figura de Anita Garibaldi para simbolizar a luta contra a diferença de gênero em uma sociedade machista:

"Anita Garibaldi foi além da luta contra a exploração do império, ela defendeu a liberdade de gênero em uma sociedade machista e opressora", afirmou o deputado federal.

ZERO HORA

terça-feira, 28 de março de 2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

Por Lula Marques


Do fotógrafo Lula Marques em seu Facebook:

Os coleguinhas fotógrafos não querem ser chamados de golpistas.

São golpistas sim e agora aguentem as consequências!

Quando começou todo o processo do impeachment, eu era a única voz entre os fotógrafos que cobrem o Palácio do Planalto que dizia que era um golpe. Chegava todos os dias para trabalhar e, em alto e bom som, soltava um “bom dia mídia golpista!”. No começo, os coleguinhas levavam na brincadeira, mas o tempo foi passando e o golpe se consolidando. Quando o processo passou na Câmara, eu virei alvo de piadinhas nos corredores, coberturas jornalísticas e nos bares. Fui chamado de louco, disseram que eu precisava tomar remédio. Ouvi muita piadinha dentro do Planalto e no Congresso dos fotógrafos machões, homofóbicos, preconceituosos, arrogantes e misóginos. São analfabetos políticos. E, ainda se acham melhores do que qualquer trabalhador por ter uma credencial para entrar nos Palácios. Nos anos do PT, ouvi frases como: “Como o ar esta fedido hoje aqui”, referindo-se aos integrantes de movimentos sociais que participavam de cerimônias. Que nojo! Para esse tipo de gente, pobre não tem direito a frequenter aeroporto. Isso sem falar dos comentários misóginos sobre a presidenta Dilma. É de dar asco! O que esperar de um fotógrafo que fala que o maior problema do casamento são as mulheres?! A misoginia ajudou a derrubar a primeira mulher eleita desse País. Se fosse um homem no lugar dela, não teria passado pelo que Dilma passou. Para esse tipo de gente, as suas mulheres devem ser lindas, recatadas e do lar. Ouvi também dos coleguinhas jornalistas que eu estava remando contra a maré. Era maluco de ser uma voz solitária no meio daquele massacre midiático. Olhares de reprovação. É como se falassem: o que esse petista está fazendo aqui? O jornalismo que idealizamos morreu e um novo jornalismo alternativo está surgindo e expondo as “grandes”redações, que transformaram fotógrafos em meros apertadores de botão. Recebem uma pauta e sequer sabem o que está por trás dela. Há uma grande diferença entre petista e jornalista e espero que procurem no dicionário a resposta.

Agora não querem ser chamdos de golpistas? SÃO GOLPISTAS e a nossa imprensa está na lata de lixo da história, ao contrário da mídia internacional, que enxergou o golpe. Quando estavam batendo na presidenta Dilma não queriam saber o que viria depois, agora aguentem as consequências de ter que ir para as ruas e serem escrachados durante as coberturas das manifestações contra o governo golpista, contra a mídia golpista e contra os corruptos que vocês ajudaram a colocar no poder. Aguentem e paguem pelas mentiras ditas, mentiras fotografadas e por ter ajudado a derrubar uma presidenta eleita com mais de 54 milhões de votos. Não é por acaso que a credibilidade da imprensa vai ladeira abaixo. Os leitores/eleitores estão cobrando. Fizeram agora paguem. Não venham com a desculpa de que são trabalhadores e a culpa é dos donos dos jornais. Vocês são os jornalistas que estiveram na linha de frente na hora buscar as informações e sabiam muito bem o que seus editores queriam e fizeram direitinho para manter seus empregos. Ligaram o foda-se para o País e a democracia. Não tentem arrumar um culpado pelo seus erros, vão ser chamados de golpista sim. Seus chefes golpistas, que ajudaram o golpe, vão continuar nas suas salas com ar condicionado e vocês vão ter que ir para ruas e as ruas os esperam.

Estou na profissão há 35 anos, cobri a redemocratização, reforma constitucional, impeachment do Collor, anões do orçamento e fiz tantas outras matérias maravilhosas. Nos últimos anos, no entanto, a parcialidade virou rotina, omissão, manipulação… dois pesos e duas medidas. O objetivo era tirar o PT do poder. Não vi nada parecido com outros partidos. E hoje, a mídia altenativa, como os jornalistas livres, mídia ninja e tantos outros surgiram com o compromisso com a verdade e a democracia. Ontem fui acusado de viver para ter likes. Nós, verdadeiros jornalistas queremos divulgar a verdade e os likes são resultado do nosso trabalho sério e honesto. Mostramos a verdade, sem manipulação, ao contrário dos veículos tradicionais. Não concordo com a violência e me solidarizo com meus colegas, Lula da Record e Kleiton do UOL, profissionais que respeito. Venceram na profissão e foram atacados por radicais de esquerda. Sigo na luta para acabar com a corrupção e desigualdade social. Minha escola de jornalismo sempre foi a liberdade e democracia. Não faço e nunca vou fazer parte de grupinhos que se comunicam e trocam mensagens pelo WhatsApp para não perderem uma foto e serem demitidos. Meu compromisso é com o leitor. Não tentem arrumar o culpado de tudo que vocês provocaram. Um dia espero que a consciência mostre o quando foram pequenos.

quarta-feira, 22 de março de 2017

sábado, 4 de março de 2017

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Sinop, onde a Amazônia virou asfalto e soja

Latifúndios. Agrotóxicos. Dinheiro, consumo e concessionárias. Índios expulsos e Amazônia devastada. História de uma regressão, em 40 anos. Pergunta: é esse o projeto para o Brasil?

Por Mauricio Torres e Sue Branford

Logo na entrada, o letreiro “Sinop, capital do Nortão” dá as boas-vindas à cidade localizada às margens da rodovia BR-163, quase 500 km ao norte de Cuiabá, capital de Mato Grosso. Com 125 mil habitantes, Sinop exala prosperidade. No coração do Brasil, o município – que tem apenas quarenta anos de fundação, é repleto de lojas luxuosas que vendem de equipamentos eletrônicos aos últimos lançamentos da moda. Concessionárias ofertam veículos novos e caros, principalmente caminhonetes com tração nas quatro rodas, próprias para rodar nas estradas de terra que ligam as muitas e ricas fazendas ao redor. Ao passear pelo centro da cidade, com suas lojas de fachadas de gosto duvidoso, a mensagem é clara: temos muito dinheiro e não precisamos conter despesas.

Sinop é uma cidade de fronteira instalada no meio da floresta. Sua história é um resumo emblemático da ocupação da Amazônia: as riquezas naturais são gradualmente destruídas ano após ano, e a floresta, os povos indígenas e comunidades tradicionais dão lugar lentamente a estradas, barragens, madeireiras, mineração, agronegócio e a outras formas do que se convencionou chamar de “desenvolvimento”.

Antes e Depois

Os generais faziam questão de ocupar a região com aqueles que chamavam de “verdadeiros brasileiros” — sua maneira de dizer “não-indígenas”.

Até a década de 1950, toda a região de Sinop era originalmente habitada por povos indígenas, particularmente os Kayabi e os Apiakás, além de remanescentes de seringueiros que lá se instalaram no entre-século 19-20. Foi então que o governo reassentou esses povos indígenas de forma obrigatória a centenas de quilômetros de distância dali, no Parque Nacional do Xingu.

Alguns anos mais tarde, a “ocupação” da Bacia Amazônica tornou-se uma obsessão dos generais que comandaram o país durante o governo militar de 1964-1985. Com o argumento de que havia interesses estrangeiros sobre a geração hidrelétrica e acesso às reservas de minérios, os militares invocaram a segurança nacional – um conceito chave da época – e não tardaram em lançar um novo slogan, “Ocupar para não Entregar”, comunicando sua ânsia de “salvar” a região.

Curiosamente, entre esses verdadeiros brasileiros, constavam grandes grupos internacionais como Mercedes-Benz e Volkswagen, que receberam, com amplas facilidades, imensas extensões de terras na Amazônia e fartos subsídios financeiros.

As iniciativas militares se diversificaram. Abriram a enorme rodovia Transamazônica, rasgando a Bacia Amazônica de leste a oeste, e instruíram um projeto ambicioso de trazer famílias sem-terra do Sul e do árido Nordeste para instalarem-se em lotes demarcados ao longo da nova rodovia.

Pipino e os pistoleiros de aluguel

O governo militar também convidou empresários do Centro-Sul do Brasil, que já acumulavam experiência em projetos de colonização de terras, a se implantar em Mato Grosso. Vastas áreas de floresta do MT passaram a ter “donos” – Zé Paraná em Juara, Ariosto da Riva em Alta Floresta e Ênio Pipino em Sinop. Nessa equação, a exuberante floresta, os índios e as comunidades tradicionais entravam apenas como obstáculos a ser superados.

Nascido em uma família de imigrantes italianos em 1917, Ênio Pipino cresceu no interior de São Paulo. Em 1948, criou a Sociedade Imobiliária do Noroeste do Paraná, mais conhecida como Sinop Terras; ele comprava grandes áreas no Paraná por preços baixos e as vendia mais caro, já divididas em lotes pequenos para agricultores familiares. Pipino fundou várias cidades e ganhou muito dinheiro.

O jornalista Silvestre Duarte, que estuda a colonização do Paraná, explicou à reportagem que foi uma época violenta: “O Paraná era como o oeste selvagem americano no século 19, quando todos os conflitos foram resolvidos pela bala”, disse Duarte. O nível de violência empregada para expulsar índios e famílias camponesas foi tamanho que provocou repercussões na imprensa brasileira e no Congresso Nacional.

Ao erguer um império no norte paranaense, Pipino ficou famoso por sua violência. “De meados da década de 1940 até o começo da década de 1960, foi grande a atuação do exército de pistoleiros e jagunços da Sinop nessa região. Sob o comando de Marins Belo e de outros famosos pistoleiros da região, foram desalojadas famílias inteiras de posseiros e assassinadas muitas pessoas, cujos corpos eram jogados no rio Piquiri. Essa foi a marca sinistra dos pistoleiros de aluguel, contratados pela Sinop”, descreve Duarte.

Na primeira oportunidade, Pipino se empenhou em reproduzir, em escala maior, o esquema de assentamento que lhe rendeu fortuna no Paraná. De acordo com Luiz Erardi, arquivista de Sinop, Ênio Pipino e a esposa, Lélia Maria de Araújo Vieira, começaram a visitar o norte de Mato Grosso em 1970. Pipino logo teria comprado uma área de terras de um fazendeiro de São Paulo e arregimentado trabalhadores de Mato Grosso para abrir estradas de terra para tornar a área mais acessível.

Quarenta anos depois, essas terras valem fortunas e os filhos e netos de alguns desse colonos são muito ricos.

Contando com favores dos militares, Pipino acabou se apropriando de 645 mil hectares. As terras que “ganhava” do governo federal eram divididas em lotes e vendidas para famílias sem-terra do Sul.

Ao que parece, o implacável Pipino também sabia ser cativante e amável quando convinha. Para Geraldino Dal’Mazo, o norte de Mato Grosso da década de 1970 era uma região selvagem e sem lei, mas Pipino irradiava sossego e confiança. Dal’Mazo foi um dos primeiros colonos a chegar em Sinop e, conforme contou a The Intercept Brasil, as pessoas se tranquilizaram quando Pipino garantiu que “todos os lotes tinham um título legal”. Entretanto, o direito de Pipino de emitir esses títulos e vender as terras era, na melhor das hipóteses, duvidoso, pois as terras que alienava eram, na sua maioria, públicas.

O início do projeto militar de colonização

Em 1972, os primeiros colonos fizeram a árdua viagem de sete dias do Paraná até Sinop. Em 1975, a migração se intensificaria, como Luiz Erardi explicou: “Teve uma geada que ceifou o cafezal no Paraná. A maioria das famílias foi atingida porque mexiam com café, acabou com café no Paraná. Nessa época também estava em expansão o latifúndio. Veio o grande que tinha dinheiro, ‘tem aí sua chácara, eu dou tanto’. E muitos falam que, com a venda da chácara que tinham no Paraná, compraram fazenda aqui em Mato Grosso.”

Mesmo com fazenda, a vida nas áreas de colonização se mostrou árdua. Os solos por baixo da floresta eram pobres e faltava tudo: assistência técnica, financiamento, infraestrutura etc. O conhecimento tradicional dos camponeses sulistas não se transportou facilmente para um ambiente amazônico desconhecido e diferente. Muitos plantaram café e, mesmo sem a ocorrência de geadas, não faltaram motivos para o fracasso dos cultivos.

“O sujeito vinha quebrado e voltava quebrado e meio”, sintetizou Erardi para explicar a situação das famílias que retornavam ao Sul. Completamente sem dinheiro, acabavam pagando com a terra – e que, até então, não tinha praticamente valor de mercado – para que um vizinho, também colono e dono de um pequeno caminhão, os levassem de volta para o Sul.

Quarenta anos depois, essas terras valem fortunas e os filhos e netos de alguns desse colonos são muito ricos.

Luiz Erardi e sua esposa eram professores no Paraná e, em 1982, chegaram a Sinop, com o projeto de fundar uma escola infantil. Ele conta que faltava energia, pois o gerador a diesel quebrava rotineiramente; que não tinham água aquecida e nem fogão a gás.

“Um domingo de manhã, levantei cedo, era final de novembro, muita chuva. Olhei lá fora, tudo alagado. Fui fazer café e peguei o açúcar e estava todo melado com a umidade. Disse: ‘não é terra de gente, é terra de sapo’. Fui ao quarto e falei para a minha esposa, ‘vamos ajeitar as coisas e ir embora’. Ela, inicialmente, não queria vir para cá. Nossos filhos estudavam, ela estava bem colocada lá no Paraná e tínhamos um fusquinha. Mas quando falei em voltar, ela bateu o pé, ‘eu não quis vir, você forçou para vir, agora não vou voltar’, ela disse. E acabamos ficando. Ainda bem.”

Depois de anos difíceis, Sinop não apenas sobreviveu, mas prosperou. Na medida em que a cidade prosperava, também cresciam as ambições de Pipino, facilitadas graças à amizade com os generais. “Ênio Pipino recebeu muito apoio militar”, nos disse Luiz Erardi. Frequentemente, ele participava de delegações oficiais em viagens ao exterior e era particularmente próximo ao general Figueiredo, que governou o Brasil de 1979 a 1985.

Os generais até dobraram a lei, quando foi preciso. Em 1982, quando escrevia o livro The Last Frontier, Sue Branford encontrou uma carta em um arquivo no escritório do Incra, com data de 25 de março de 1979, na qual Pipino solicitava cortesmente a Paulo Yakota, então presidente do Incra, que lhe desse os títulos referentes a uma enorme área de 2 milhões de hectares, que ele chamava de gleba Celeste e onde já havia estabelecido 3.300 famílias. Ao menos em parte, o pedido parece ter sido atendido, pois a Gleba Celeste foi registrada em nome de Pipino com um terço do tamanho pretendido e, como no Paraná, ele seguiu vendendo as terras e fundando cidades, sempre com nomes de mulheres: Vera, Cláudia e Santa Carmem.

Prosperidade para quem?

Obviamente, nem todos progrediram em Sinop. Na região, é comum dizer que os “teimosos” ficaram e colheram as recompensas, mas essa expressão é quase folclórica: para se tornar um milionário da fronteira, era preciso mais do que teimosia.

De acordo com a professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Maria Ivonete de Souza, cujo pai, um trabalhador rural pobre, comprou um lote de terra em um projeto de assentamento mais ao norte, “sempre foi difícil para os colonos que chegaram sem dinheiro. Não foi fácil para os agricultores encontrar uma maneira de cultivar a terra que deu certo. No fim, descobriram que aplicar muitos insumos químicos funcionava bem. Mas até lá os pobres tinham gasto todos seus recursos e nunca ganharam o suficiente para recuperar o que perderam. Quarenta anos depois meu pai é tão pobre como quando chegou”, disse Maria Ivonete. “Ele sempre teve que trabalhar na terra de outra pessoa para fazer face às despesas da família.”

Geraldino Dal’Mazo e Luiz Erardi acham bom ter ficado em Sinop. Erardi foi professor, trabalhou em uma série de empregos dentro do governo municipal e seus netos ascenderam socialmente. Hoje, ele se orgulha de uma neta médica, formada em uma grande universidade. Dal’Mazo ganhou muito dinheiro nos primeiros anos, principalmente com a abertura de postos de gasolina, e se tornou prefeito durante o governo militar. Perdeu tudo na crise econômica brasileira no início dos anos 80; seus filhos, no entanto, enriqueceram.

Demorou mais de uma década em Sinop até que os agricultores descobrissem um tipo de cultivo rentável. Depois de tentativas fracassadas com várias culturas, o irmão de Geraldino Dal’Mazo plantou soja e se tornou o primeiro produtor da região a experimentar o cultivo, que até a década de 80 era pouco conhecido no Brasil. “Plantou 1.500 hectares em 1987 e produziu maravilhosamente bem” falou Dal Mazo. Atualmente, a maioria dos agricultores participa da onda sojeira e plantam milho e algodão na entressafra.

Aparentemente, Sinop é uma cidade próspera, vibrante e que pertence ao Brasil moderno. No entanto, alguns grupos sociais pagaram um preço alto pelo sucesso da cidade – os povos indígenas, as famílias sem terra e colonos sem recursos tornaram-se invisíveis. A floresta, que até a década de 1970 cobria todo o município, foi dizimada: em apenas 40 anos, 2/3 do município foram desmatados.

Dependendo do ângulo e de quem está olhando, Sinop pode ser considerada um território de conquista ou escombros de uma terra arrasada. À medida que nossa reportagem avança rumo ao norte pela BR 163, vamos ao encontro da atual fronteira agropecuária, onde hoje são travadas disputas por terras. É como viajar ao passado de Sinop.

Esta matéria é da série exclusiva “Tapajós sob Ataque”, escrita pela jornalista Sue Branford e pelo cientista social Mauricio Torres, que percorrem a bacia Tapajós. A série é produzida em colaboração com Mongabay, portal independente de jornalismo ambiental. Leia a versão em inglês. Acompanhe outras reportagens no The Intercept Brasil ao longo das próximas semanas.

Fonte: Outras Palavras.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Por Ivan Canan

Sobre pequenez humana e a morte...
Morreu Marisa Letícia Lula da Silva. Ela foi primeira dama do país por 8 anos. Até porque sua antecessora também recebeu esse "título", era chamada de Dona Marisa. Morreu Dona Marisa, esposa de Lula.
Lula é um político. Não gostamos de políticos. Políticos deveriam ser aquelas pessoas que conseguem fazer quem pensa diferente negociar entre si. Políticos tem manipulado as pessoas que pensam diferente para que briguem entre si para lhes dar poder, enquanto eles negociam entre eles. Não gostamos de políticos porque políticos estão nos fazendo de idiota. Lula é político.
Lula também é um simbolo. Ele, bem intencionado ou não, foi quem melhor liderou a convergência de todos os discursos produzidos dos saberes que emergiram do sofrimento das pessoas em suas vidas privadas de dignidade. Camponeses, mulheres, oprimidos, trabalhadores da industria, pequenos empreendedores, moradores em regiões esquecidas, todo aquele que conseguia expressar dor, e cuja voz se reunia a outros que também expressavam voz pela dor da opressão, todos estes produziram saberes que foram abraçados por Lula. Bem intencionado ou não, ele ouviu esses saberes e tentou, com as elites, negociar para que essas vozes fossem ouvidas. Todo aquele que sente ou sentiu dor, vê nesse simbolismo de Lula algo bom. Podem não gostar do político, mas compreendem a grandiosidade da liderança (e esperam, ansiosos, que outros lideres também ouçam suas vozes).
Dona Marisa, como esposa de Lula, esteve do lado do político e do líder. E neste ponto, é preciso compreender melhor o dia a dia de alguém que ocupe uma liderança. Caso fosse Lula o Paulo Skaf, ele estaria liderando um grupo bastante pequeno em comparação com aquele que liderou. Seriam alguns poucos milhares de empresários. Cada empresário, entretanto, teria tanto dinheiro, que sua influência sobre esse grupo poderia impactar profundamente a sociedade. Todos os recursos lhe estariam disponíveis: poderia comprar propaganda, poderia comprar jovens obcecados para fazer terrorismo nas redes sociais e outros para organizar manifestações. Poderia pagar por manifestações, assim como poderia pagar por pesquisas que indicassem exatamente o que uma professora carioca humanista ou um empreendedor do centro oeste gostariam de ouvir, para incorporar aos seus discursos e fazer com que estes, também, se tornem gratuitamente defensores obsessivos de suas ideias (mesmo que contrariando suas posturas até então defendidas). Com dinheiro, tudo que puder ser mensurado pode ser comprado.
Mas Lula foi o líder que buscou representar a multidão cuja voz saia por lamentos. Cuja miséria não se refletia tão somente na falta de comida para três refeições, mas também no seu vocabulário: pessoas tão carentes que sentem dor mas não sabem como expressá-la. Para liderar esses grupos, não bastava falar o que se queria ouvir: era preciso descobrir o que falar para que estas pessoas se sentissem acolhidas pelo discurso, mesmo tendo elas tão poucas palavras à sua disposição para conversar. E Lula passou sua vida buscando compreender esse discurso, até que conseguiu. Bem intencionado ou não, ele conseguiu com que todo aquele com dor e sem voz se visse incluído nos discursos da cúpula de poder político do país.
Dona Marisa foi a mulher que esteve mantendo uma família para Lula enquanto ele dedicou tempo a dar voz a milhões de oprimidos. Sem os recursos que a mulher de Paulo Skaf tem a sua disposição. Sem também todos os saberes refinados que as filhas da alta sociedade tem à sua disposição desde que nascem.
É agora, minhas queridas e queridos, que lhes convido a refletir sobre a pequenez humana. Se a família é um valor tão importante para nós a ponto de chamar de "Dona" uma matriarca, é dado a Dona Marisa o mérito de receber esse tratamento porque ela o foi, dignamente.
Se a família que ela matriarcou é a mesma que deu condições para que Lula, bem intencionado ou não, liderasse de modo a dar voz para expiar a dor de milhões de oprimidos, então há algo a mais de valor, de mérito. Reforço, para que o insensível compreenda, que estes oprimidos cuja dor é tamanha e cuja miséria é tanta, não conseguem lhes fazer sentido os discursos que explicam que não há dinheiro para se aposentar. Sua dor simplesmente é tanta, que não lhes restará força, nem emprego, nem vida, quando esse trabalho extra chegar, e é essa dor da morte miserenta e certa que querem expressar e que não encontram acolhida nas explicações frias e racionalizadas do ministro Meireles, cujo saber vem do domínio de contas complexas numa planilha de excel. É essa dor que Lula deu voz, e que Marisa o ajudou.
Mas há o lado político. Há os erros de um político que, apesar de seu mérito por ter liderado tendo sido bem ou mal intencionado, há os erros que políticos cometem. E há noticias bombardeadas o tempo todo para tentar lhe provar que Lula foi mal intencionado.
E, politicamente, para destruir o mito, nem o direito da presunção de inocência lhe foi atribuído. Lula já foi condenado na inquisição daqueles que nunca sentiram dor, ou daqueles cuja dor já esqueceram. E se Lula é culpado, então Dona Marisa também o é. E querem tirar-lhe a honra de uma morte respeitosa.
Quando morreu Dona Ruth Cardoso, cujo marido soberbamente se apresentava como um príncipe, cuja educação em Sorbone lhe concedia milhares de palavras para construir seus discursos e cujos saberes eram completamente adequados àquele grupo de pessoas bastante poderosas que reconhecem como líder Paulo Skaf, quando Dona Ruth morreu, Lula decretou três dias de luto oficial.
Agora, por conveniência política, a trajetória de Dona Marisa é relegada ao papel de esposa de político (odiamos políticos. Eles deveriam nos liderar para que conseguíssemos negociar com aqueles com quem não concordamos, para que alcancemos o bem comum. Mas eles estão nos liderando para que briguemos com quem não concordamos para que possam negociar entre si, em favor próprio). E como esposa de político que representou aqueles que não tem voz, qualquer voz que lhe apregoe dignidade é calada.
A verdade é a verdade. A realidade É, independente do quanto alguém esteja disposto a reconhece-la. E a realidade é que Dona Marisa foi esposa do líder, tanto quanto foi esposa de político. E assim como Dona Ruth Cardoso também foi esposa de político, e também foi tratada com dignidade, também assim deve se tratar Dona Marisa por todo aquele que tem a dimensão moral de uma pessoa normal.
Aquelas que não conseguem lhe perceber o valor, estas não tem a grandiosidade de alma que se espera de pessoas comuns. Estas tem a alma pequena.
É importante percebermos, nós mesmos, se nossa alma é pequena ou não. Podemos errar em nossas posturas. Podemos não reconhecer a realidade. Mas se diante da realidade continuamos negando o que é de valor alheio, então sim, somos torpes. Somos pequenos. E se justiça existe no mundo, então é justo que todo aquele de alma pequena seja amaldiçoado.
É o que explicava Fernando Pessoa, com quem vos deixo nessa singela reflexão.
"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
Não esqueçam: Tudo vale a pena se a alma não é pequena!

sábado, 10 de dezembro de 2016

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Manipulação em massa



Noam Chomsky é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como “o pai da linguística moderna“, também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica. (Fonte)

“Em um estado totalitário não se importa com o que as pessoas pensam, desde que o governo possa controlá-la pela força usando cassetetes.

Mas quando você não pode controlar as pessoas pela força, você tem que controlar o que as pessoas pensam, e a maneira típica de fazer isso é através da propaganda (fabricação de consentimento, criação de ilusões necessárias), marginalizando o público em geral ou reduzindo-a a alguma forma de apatia” (Chomsky, N., 1993)

Inspirado nas idéias de Noam Chomsky, o francês Sylvain Timsit elaborou a lista das “10 estratégias mais comuns de manipulação em massa através dos meios de comunicação de massa“

Sylvain Timsit elenca estratégias utilizadas diariamente há dezenas de anos para manobrar massas, criar um senso comum e conseguir fazer a população agir conforme interesses de uma pequena elite mundial.

Qualquer semelhança com a situação atual do Brasil não é mera coincidência, os grandes meios de comunicação sempre estiveram alinhados com essas elites e praticam incansavelmente várias dessas estratégias para manipular diariamente as massas, até chegar um momento que você realmente crê que o pensamento é seu.

manipulacao-em-massa

1. A Estratégia da Distração

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio, ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se por conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética.

Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real.

Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais.

2. Criar problemas e depois oferecer soluções

Este método também é chamado “problema-reação-solução“. Se cria um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja aceitar.

Por exemplo: Deixar que se desenvolva ou que se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas desfavoráveis à liberdade.

Ou também: Criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos. (qualquer semelhança com a atual situação do Brasil não é mera coincidência).

Este post PORQUE A GRANDE MÍDIA ESCONDE DE VOCÊ AS NOTÍCIAS BOAS? retrata bem porque focar nos problemas é interessante para grande mídia.

3. A estratégia da gradualidade

Para fazer que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Foi dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas, neoliberalismo por exemplo, foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990.

Estratégia também utilizada por Hitler e por vários líderes comunistas. E comumente utilizada pelos grandes meios de comunicação.

4. A estratégia de diferir

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária“, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.

Depois, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “amanhã tudo irá melhorar” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como crianças

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criança de pouca idade ou um deficiente mental.

Quanto mais se tenta enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante.

Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como as de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.”

6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e finalmente no sentido crítico dos indivíduos.

Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.

“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser revertida por estas classes mais baixas.

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade

Promover ao público a crer que é moda o ato de ser estúpido, vulgar e inculto. Introduzir a idéia de que quem argumenta demais e pensa demais é chato e mau humorado, que lhe falta humor de sorrir das mazelas da vida.

Assim as pessoas vivem superficialmente, sem se aprofundar em nada e sempre ter uma piadinha para se safar do aprofundamento necessário a questões maiores.

A idéia é tornar qualquer aprofundamento como sendo desnecessário. Pois qualquer aprofundamento sério e lúcido sobre um assunto pode derrubar sistemas criados para enganar a multidão.

9. Reforçar a auto-culpabilidade

Fazer com que o indivíduo acredite que somente ele é culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, suas capacidades, ou de seus esforços.

Assim, no lugar de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E, sem ação, não há questionamento!

10. Conhecer aos indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem

No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes.

Graças à biologia, a neurobiologia a psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado sobre a psique do ser humano, tanto em sua forma física como psicologicamente.

O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que dos indivíduos sobre si mesmos.

manipulacao-em-massa

Nós do Yogui.co acreditamos que para se manter desperto e apto a tomar decisões sem sermos massa de manobra devemos nos auto-conhecer, o caminho mais profundo de auto-conhecimento é a meditação (ao nosso ver).

A simples tarefa de olharmos internamente para cada nuance de nosso ser e questionar cada célula, cada pensamento é o caminho básico para quem deseja despertar de toda essa manipulação que foi pensada e estrategiada para nos manter dispersos.

Fonte: http://yogui.co/10-estrategias-de-manipulacao-em-massa-utilizadas-diariamente-contra-voce/

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Ivan Canan sobre impeachment

Sobre o impeachment: acabou a fase do horror.

A barbárie que foi a sucessão de argumentos radicais, misturados a argumentos fascistas e argumentos oportunistas, para explorar toda e qualquer fragilidade do governo Dilma se esgotou. Não há mais governo Dilma.
Agora há o que há: o registro histórico do golpe. Os golpistas, envergonhados, sabem disso, e buscam registrar na história os argumentos que justificariam o golpe - seria um golpe necessário? seria um golpe de todos contra um grupo que tomou o poder? seria esse golpe uma coisa "boa"? Buscam contextualizar isso, mas não há como fugir do fato que é um golpe.

Resta, claro, saber como a história irá julgar o golpe. Talvez o governo ilegitimo Temer (ilegitimo porque irá fazer reformas que jamais passariam por uma eleição) seja tão bem sucedido que as pessoas passem a entender que o correto é ser golpista! Quem sabe não será o correto ser bandido (aliado de Cunha) elitista (que corta tributos de ricos e direitos de pobres)? Quem sabe não será correto ser "mau"?? (talvez teremos problemas com as religiões, caso elas queiram ser coerentes com conceitos de bem e mal... mas nada que não possa ser modificado também).

Enfim, a probabilidade da história redimir as atuais vitimas do golpe (Dilma, obviamente, e todos que nela votaram), já faz as redes sociais se entulharem de rostos sorridentes em selfies pela esquerda brasileira e, porque não, dos isentões esclarecidos.
Quanto à direita, está trabalhando de modo pragmático para a próxima eleição. E a missão é clara. Lula precisa estar na cadeia ou inelegível, porque qualquer caso contrário, será eleito.

Gente, entendam. Se Lula não puder concorrer, concorrerá Chico Buarque!!!!
Não tem outro jeito. Literalmente, perdeu playboy!!!!

Fonte: Ivan Canan.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Crime ambiental mato-grossense


Decreto autoriza uso do 'correntão' para retirada de vegetação em MT

Técnica, que possibilita retirada rápida de vegetação, era considerada crime.
Para o Ibama, uso é agressivo à natureza e coloca em risco animais e plantas.

A utilização de correntes presas por tratores, conhecido como 'correntão', foi autorizada através da revogação de um artigo pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) no último mês. A técnica, que possibilita a retirada rápida de vegetação nativa, era considerada crime ambiental por lei. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) em 7 de julho.

Entidades de defesa ao meio ambiente declararam que vão se manifestar contra a mudança na lei. Segundo produtores, a Secretaria de Estado e Meio Ambiente (Sema) já havia manifestado a intenção de anular o artigo e permitir o correntão, mas a ALMT acabou votando o assunto antes.

A Sema informou que com a troca de secretários, a pauta ficou sob responsabilidade da assembleia. Ainda, a secretaria não vai se posicionar sobre o assunto. O projeto foi apresentado pelo deputado Dilmar Dal Bosco (DEM). Na justificativa, o deputado alegou que a administração pública não pode legislar em decreto sobre a tipificação de crimes.

A superintende do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Mato Grosso, Lívia Karina Passos Martins, declarou que o uso do correntão coloca em risco animais e plantas por ser uma forma muito agressiva de retirada de vegetação. A ferramenta, em poucos minutos, consegue arrancar árvores gigantescas.

O diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Wellington Andrade, o uso do correntão é uma forma prática de retirar a vegetação. “A gente entende que o melhor modo de supressão de vegetação é o correntão, desde que o produtor cumpra os requisitos que foram determinados pelo órgão ambiental na concessão da licença”, afirmou.

Fonte: G1MT
Foto: Magnos Oliveira



segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Sinop depois das convenções

Sinop apresenta seus candidatos para prefeito e ao mesmo tempo escreve mais uma página da história das duas principais lideranças do município. De um lado o atual prefeito com 8 anos de gestão. Do outro o antigo prefeito que ficou o mesmo tempo administrando a cidade.

Esta será uma eleição diferente, pois depois de 16 anos eles receberão votos por tabela e isso ficou bem claro nas convenções dos partidos, pois quem acompanhou as duas viu bem que o nome de quem está concorrendo tem um peso muito, mas muito menor do aquele que está apoiando.

Mas tirando o fato de ter dois padrinhos que estão dando o presente, a festa começa com palcos recheados de novidades. Do lado da situação tudo parece perfeito: uma candidata mulher, que ajudou a gestão nos últimos 4 anos como vice. Um candidato a vice que tem popularidade. A coligação tem ainda apoio importante de lideranças comunitárias e o principal: obras para não deixar dúvida do que foi feito.

De outro lado uma oposição que não construiu o nome forte e não encontrou falhas para alicerçar sequer um slogan de campanha. O candidato a prefeito foi chamado com urgência, um empresário que como foi dito está com “os burros n’ água” e nem precisaria estar concorrendo. Um vice que sonhava em ser prefeito; jovem tem muito tempo para tentar chegar lá. E para completar a coligação tem apoio daqueles que determinaram em Cuiabá quem iria concorrer em Sinop e ofereceram toda ajuda possível em nome do alinhamento político entre estado e município. E mais: garantiu ainda apoio do presidente da república!

Vai ser uma eleição diferente, mas vai ser também o início de uma nova fase, depois de muitos anos governados por lideranças amadas ou odiadas, esculhambadas ou respeitadas o que não se pode falar é que a cidade não ganhou com elas e a prova é que continuam ali, firmes e fortes no palanque. Então o que precisamos é de muita, mas muita avaliação no projeto que está sendo apresentado, para que o vencedor saia da prefeitura com a mesma aprovação de quem passou por lá.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Artigo Só Notícias abril

Golpistas admiráveis
28/04/2016 - 09:15
Fonte: Magnos Lanes Bauken de Oliveira

Para que um golpe exista é preciso que se tenha uma vítima que geralmente é alguém que quer levar vantagem. Para levar vantagem ela se rende ao possível ganho fácil que o golpista oferece.

Claro que o golpista tem a lábia para articular, envolvendo o emocional da vítima, ao ponto de coisas que para quem não participa do golpe pareçam absurdas.

Quando você tem um golpista profissional, encabeçando um golpe coletivo, contra uma ou mais vítimas, esse golpe precisa ser bem melhor desenvolvido. É preciso criar uma situação que seja tão convincente ao ponto de ludibriar os vitimados.

O ganho fácil atrai tanto que não se pode perder a oportunidade, e quem barganha algo maior não pensa duas vezes. Quando a armadilha do golpista é desarmada ai não tem escapatória. Mas depois que ela fecha vem o maior problema: a vítima percebe que fez papel de boba e não consegue entender como caiu de maneira tão idiota naquela conversa.

Quando envolvida num golpe vítimas geralmente perdem mais que valores materiais. Já o golpista some sem ser descoberto. Mas existem golpes que são dados de maneira escancarada! Aqueles golpes que são pra todo mundo ver mesmo. São praticados pelos golpistas dissimulados, aqueles que estão certos da impunidade. Eles são profissionais, sabem como atingir objetivos e ainda ter admiração por parte até mesmo de quem é golpeado.

Na prática de um golpe uma coisa é certa: a vítima também tem culpa! Ela praticamente se oferece para sofrer o golpe. Não importa o motivo, a vítima nem sempre é tão vítima assim. E o maior pecado da vítima é não ter percebido o golpista antes da prática criminosa e depois que ela ocorre não adianta espernear, chorar e nem gritar, pois todos irão olhar a vítima como uma besta que não viu o quanto estava sendo tola.